Aécio coloca condicionantes para apoiar Temer

Aécio coloca condicionantes para apoiar Temer Em entrevista ao “Valor Econômico”, Aécio Neves coloca condicionantes para apoiar eventual governo de Michel Temer

Em entrevista publicada nesta quarta-feira (13/04) pelo jornal Valor Econômico, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, deixou claro que, apesar de defender o impeachment da presidente Dilma Rousseff, existem condições para que o partido apoie um eventual governo do vice-presidente Michel Temer, do PMDB. Entre elas está o comprometimento com uma agenda de reformas que tirem o Brasil da crise econômica, política e social.

 

“Uma agenda capitaneada pelo Temer vai depender da coragem que ele tenha de encabeçar esta agenda, mas não tira do PSDB o seu compromisso de apresentar para o país uma proposta eleitoral. Não abdicamos do nosso projeto. Vamos dar sustentação política para o governo Temer desde que refaça o que precisa ser feito, construa essa linha. Temer já mostrou disposição de colher inspiração no que já apresentamos ao país”, afirmou.

 

Para Aécio, o que o Brasil precisa discutir daqui para frente é uma reforma política que recrie a cláusula de barreira, estabeleça voto distrital misto e proíba coligações proporcionais. Também é preciso coragem para modernizar a legislação trabalhista, garantindo empregos; investir na profissionalização das agências reguladoras, dos fundos de pensão e das estatais; simplificar o sistema tributário e debater a questão previdenciária.

 

O presidente nacional do PSDB reconheceu que um eventual governo Temer terá dificuldades, mas ressaltou que a mudança do governo é uma necessidade para o Brasil. “Dilma não garante as condições de continuar o mandato, porque a economia vai continuar paralisada e ninguém vai botar um real no país. A qualificação do governo tende a piorar”, disse.

 

Aécio Neves acrescentou que, na hipótese de o pedido de impeachment não ser aprovado na Câmara, o caminho natural seria o impulso ao processo de cassação da chapa eleitoral de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alimentado pelo agravamento da crise econômica e pelos fatos novos da Operação Lava Jato.

 

Ele avaliou que um cenário de vitória do governo na votação do impeachment poderia significar a maior das derrotas para o Brasil e para a própria Dilma. “Ela não readquirirá confiança. Governo sem credibilidade não é governo. Haverá um vácuo que precisará ser preenchido de alguma forma”, considerou.

 

‘Brasil requer urgência’

 

Aécio destacou ainda que, seja qual for a decisão tomada pelos parlamentares na votação, “o Brasil requer urgência”. Para o senador, a força do impeachment é alimentada pelo próprio governo e seus equívocos.

 

“Ouço muito líderes do PT, gente da base da presidente, culpando a oposição e as manifestações pelo clima de instabilidade, mas se hoje a presidente corre risco é por responsabilidade exclusiva dela. Ela está empenhada em preservar um único emprego no país, o seu. Ela sozinha jogou pela janela o ativo essencial, insubstituível, que é a credibilidade”, apontou.

 

“Não sou dos mais radicais oposicionistas e concedo que um terço da crise que estamos vivendo provém do desaquecimento externo. Mas a grande parte se deve ao que passamos no país. Uma queda do PIB [Produto Interno Bruto] de 10% em três anos é cenário de país em guerra. É claro que toda esta instabilidade, acrescida da Operação Lava-Jato, afeta muito mais o governo do que afetaria em um cenário de razoável instabilidade econômica”, completou.

 

Leia a entrevista na íntegra aqui.