Diálogo sem fronteiras

Diálogo sem fronteiras Aécio Neves recebe líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles

A Venezuela, país que faz fronteira com o Norte do Brasil, há muitos anos vem enfrentando uma crise política agravada pela condução adotada pelo presidente Nicolás Maduro.

O seu povo encara um país ameaçado pela política violenta de seu presidente, por uma forte crise financeira e por um estado antidemocrático que diminui as frentes contrárias ao governo.

Por tudo isso, os partidos de oposição daquele país buscam o diálogo com nações que possam frear ou enfraquecer as ameaças ditatoriais adotadas por Nicolás Maduro.

Assim aconteceu em maio de 2015, quando as esposas dos políticos presos, Mitzy Ledezma e Lilian López, vieram ao Brasil e apelaram ao governo para que fossem tomadas providências pela liberdade e pela democracia da Venezuela.

Em seguida, uma comitiva de parlamentares comandada por Aécio Neves chegou a Caracas para uma tentativa de diálogo e negociação, mas foi impedida de continuar a missão.

O governo da presidente Dilma Rousseff sequer retratou o incidente dos parlamentares em Caracas ou recebeu os apelos feitos pelas esposas de Antônio Ledezma e Leopoldo López, políticos presos, contrários ao governo de Maduro.

Mesmo com a vitória da oposição nas eleições, em dezembro do ano passado, obtendo maioria parlamentar pela primeira desde 1999, a Venezuela continua mergulhada num caos social e seu povo clama pela ordem democrática.

Em busca do diálogo e de caminhos para amenizar a crise na Venezuela, Aécio Neves recebeu nesta terça-feira (14/06) o líder da oposição venezuelana Henrique Capriles.

Capriles veio ao Brasil, e seguirá para outros países da América Latina, para denunciar as manobras de Nicolás Maduro, que tenta impedir que um referendo seja realizado em seu país para dar aos venezuelanos a oportunidade de porem fim ao eterno mandato de seu presidente.

O pedido de referendo conta com mais de 1,3 milhão de assinaturas coletadas no país, seis vezes mais do que o mínimo fixado pela Constituição venezuelana para que a consulta popular seja realizada.

Aécio Neves reagiu em defesa da democracia e pediu para que o governo brasileiro também se manifeste contra essa manobra política, preservando a Constituição, a liberdade e a democracia dos países da América Latina.

O que queremos para a Venezuela é o que queremos para o Brasil: respeito à Constituição. Quando se fala em democracia e em respeito aos direitos humanos não existem fronteiras” – Aécio Neves

No início da noite, o presidente interino Michel Temer recebeu Aécio Neves e outros parlamentares para uma reunião sobre o futuro dos países latino-americanos.

Aécio Neves e o líder da oposição da Venezuela, Henrique Capriles - Foto: Orlando Brito

Aécio Neves e o líder da oposição da Venezuela, Henrique Capriles – Foto: Orlando Brito

Os parlamentares defenderam uma postura mais firme do Brasil em relação à questão democrática no continente americano, em especial uma manifestação do governo na próxima reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), em defesa da democracia, liberdade e direitos humanos na Venezuela.

Michel Temer reiterou que essa será a postura do Brasil a partir de agora.