Reina, mas não governa

Reina, mas não governa A presidente renuncia sem aceitar descer do trono

Com todo o nosso respeito aos descendentes da família real do Brasil, é difícil não contatar: o país acaba de instaurar a monarquia à brasileira. A rainha reina, mas não governa!

De fato, é complicado entender isso, mas é exatamente assim que estamos sendo governados.

Depois de várias tentativas de interlocução entre os poderes Legislativo e Executivo, a presidente Dilma Rousseff apelou para que o vice-presidente, Michel Temer, fizesse a articulação política entre o Congresso e o Planalto.

A última investida da presidente foi o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas. Antes dele, outras “Mãos da Rainha” fizeram tentativas frustradas de diálogo, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante e até o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Nada feito!

Ver a articulação política ficar por conta do vice-presidente, Michel Temer foi, talvez, a melhor resposta que o PMDB poderia receber, ao longo desses últimos anos.

Menosprezado há quatro anos, Temer figurava apenas como o vice da soberana. Dilma tinha o Congresso e súditos a seus pés. Aprovava com facilidade seus projetos e disparava em popularidade com os brasileiros, graças a muitas promessas e ao ataque impiedoso aos adversários.

O tempo passou e outras eleições vieram. Com elas, a fragilidade de uma presidente que, a qualquer custo, ludibriou os brasileiros com promessas não cumpridas; articulou estratégias e, mesmo assim, venceu. Mas o cenário havia mudado.

Rainha

Agora, as duas Casas (Senado e Câmara) são presididas pelo partido que apoia o reinado da presidente. Entretanto, detém agora uma exército importante de ministros, ministérios e articulações políticas.

Aécio Neves, após a divulgação do mais novo articulador do governo, concluiu que a presidente Dilma introduziu algo novo na política brasileira: a renúncia branca.

A pergunta que resta é: que papel desempenha hoje a presidente da República? Acredito que praticamente nenhum mais. O que assistimos a partir desta decisão da presidente é uma renúncia branca. Hoje, quem governa o Brasil não é mais a presidente Dilma.” Aécio Neves

A cada semana, o Palácio do Planalto nos mostra um manual grosseiro de “como perder quatro anos de governo sem lutar por nenhuma batalha”. A reforma política que tanto necessitamos, para tentar dar um passo firme a caminho de uma democracia consolidada, tem virado um conto de Sherazade, aquele que nunca tem fim, em um reino chamado Brasil.

3 comentários

  • Marilene Pereira Sobral 9 de abril de 2015 at 20:37

    Meu rei: porquê não destronamos esta rainha; já que seus suditos não a querem visto que não tem legitimidade e competência para continuar esse reinado e colocamos no trono o verdadeiro e legitimo dono dele? Se não conseguirmos destituir essa ” rainha” nosso reino vai acabar nas mãos de corruptos e malfeitores e seremos todos infelizes para sempre . Não é esse o final da história que os brasileiros desejam para o Brasil.

  • Leonardo 9 de abril de 2015 at 18:06

    Aécio, você como um sério e informado estadista, por um caso, já pensou em abraçar a causa monárquica?

    O Brasil viveu os seus melhores momentos durante o período parlamentarista monárquico. Basta se informar sobre os dados políticos e econômicos históricos para se comprovar isso. Todos os estudiosos sobre o Brasil sabem disso.

    Você seria um ótimo primeiro ministro e contaria com os votos de milhões de monarquistas. Pense nisso.

    Viva o Império do Brasil!

  • Arlete Reis 9 de abril de 2015 at 17:07

    Parabéns pela análise. Contamos com você e todos da oposição para reverter essa situação, antes que o problema se agrave e o Brasil volte aos tempos de escuridão total.

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